terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma retrospectiva básica

A pessoa resolve postar no penúltimo dia do ano e COMO SE NÃO BASTASSE resolve fazer o post mais clichê de todo o universo dos blogs: retrospectiva. Eu sei, eu sou péssima. Poderia ter postado antes, sobre outro assunto menos entediante, mas digamos que eu entrei de férias há exatos dez dias e a ficha ainda não caiu que eu passei em absolutamente todas as disciplinas em que eu estava matriculada e já estou pronta para o que vem em 2015. Daí, alguns parentes vieram passar uns dias na minha casa, e isso tem tomado tooooooodo o meu tempo.
Vamos ao que interessa: O fato é que o ano de 2014 trouxe certas mudanças que, numa licença poética, foram retroativas, no sentido de que refletiram em mim até mesmo nas minhas atitudes de antes. Acho que finalmente posso dizer que estou bem comigo mesma, com as sensações que vivi e tenho vivendo, com as tarefas com que venho me ocupando e isso me deixa bem - ou pelo menos estável. Esse ano foi um grande acontecimento porque eu finalmente consegui encontrar minha essência, fazer uma reflexão benéfica sobre o passado e planejar meu futuro.

~UI, FERNANDA, COMO VOCÊ ESTÁ PROFUNDA~
Sim.

FACULDADE

Não sei nem o que dizer de uma imagem que me descreve tão bem na faculdade.

Eu descobri que o céu e o inferno caminham juntos nesse lance chamado Ensino Superior. Ao mesmo tempo em que eu cheguei à conclusão de que escolhi corretamente que curso fazer, vejo um caminho em cima de uma corda bamba de notas, professores extremamente irritantes, colegas de classe desnecessários, amizades verdadeiras, falta de dinheiro, ônibus, cachaça, pizza e preocupação com CR. O fato é que mesmo com todos os problemas, eu AMO fazer Direito por diversos motivos: eu finalmente estou entendendo o que estou estudando - VITÓRIA DO POVO DE DEUS, no ensino técnico eu estava mais perdida que cego em tiroteio, não entendia porcaria nenhuma de matemática e física e escorregava em lógica de programação. Ler um texto e ENTENDER foi totalmente novo pra mim. E eu passei três anos da minha vida respirando e vivendo o vestibular, completamente perdida e com medo de dar tudo errado. O ano de 2013 foi o mais problemático em termos de estresse, já que eu chorava em cima dos livros de química e o mimimi sobre ter escolhido um curso muito concorrido somada à possibilidade de não passar em universidade nenhuma. E depois de ver meu nome em várias listas - PUTA QUE PARIU, EU PASSEI NESSAS MERDAS TODAS - veio 2014 e o alívio de fazer o que gosto. É bom.


APARÊNCIA

Me deixa... eu sou um leão RAWR

Esse ano também foi emblemático pelo fato de eu ter - FINALMENTE - entendido que eu não preciso sofrer pra me sentir bonita. E quando eu digo sofrer, refiro-me aos procedimentos estéticos em excesso - isso inclui todas as merdas que eu passava no cabelo achando que ele ia ficar melhor alisado - e a obsessão por manter determinado peso. Passei a vida inteira me importando com meu peso, com meu cabelo, com a minha cor, com as atitudes que as pessoas esperam de pessoas fora do padrão como eu. Decidi que essas coisas não vão mais importar pra mim, porque grandes verdades da vida me rodeiam:

1. Eu gosto muito de doces.
2. Meu doce preferido é brigadeiro.
3. Não abro mão de tomar banho de piscina.
4. Não sei nadar borboleta e peito.

E eu não abro mão dessas verdades só pra pesar 55kg e ter o cabelo liso ou ~domado~ como se isso fosse uma grande vantagem no mundo. Não sou obrigada.


SEXUALIDADE

Vai ter ditadura LGBT sim, se reclamar vai ter DUAS.

Se tem uma coisa que me deixou A VIDA TODA GRILADA foi a confusão mental que se instaurou em mim quando eu percebi, aos 10, que eu gostava de meninas. E que eu gostava de meninos. E que não tinha nada de errado com isso. Esse assunto entra no campo dos mamilos - muito polêmicos -, mas eu preciso colocar pra fora essa constatação novamente (digo "novamente" pois já escrevi sobre isso, extremamente revoltada, nesse outro post): EU SOU BISSEXUAL. Não estou aguentando o tanto de preconceito que toda a comunidade LGBT tem que passar em pleno século XXI, não pretendo mais me esconder embaixo de uma capa da invisibilidade hétero, saindo apenas com homens por puro medo de decepcionar ou ferir a moralidade de outras pessoas. Esse ano que termina me ensinou que eu não tenho que ter vergonha de ser quem eu sou, nem de fazer as coisas que me deixam satisfeita comigo. Não só com relação à sexualidade, mas absolutamente tudo. Todo mundo merece ser feliz e isso é mais do que fato. Eu mereço, você merece, até mesmo sua vizinha chata que coloca Pablo no último volume merece ser feliz e não ser julgada por coisas que acontecem na vida privada dela. Vamos parar de cuidar do que as pessoas fazem com sua própria genitália? Grata!


MINHAS IDEIAS

Eu shippo Karl Marx e Friedrich Engels, nem deus poderá me julgar pois sou ateia, 13bjs.

Tenho amadurecido muita coisa que eu já pensava desde muito tempo e só agora criei coragem para dizer as coisas que eu penso sem medo de ser mal interpretada. Aliás, caguei se serei mal interpretada. Tenho muito orgulho de estar seguindo os passos da minha mãe com relação a isso - que desde cedo é militante feminista de esquerda - e poder usar minha futura formação em Direito pra fazer as coisas mudarem um pouco pra quem sofre os mais diversos tipos de opressão. Não pretendo me estender muito com relação a isso, já que se eu começar a falar sobre as coisas que eu defendo, esse post vai ter umas quatro mil voltas no tempo e muitas palavras. Eu não tenho muito poder de síntese rs Só quero dizer que briguei com muita gente intolerante - principalmente da faculdade - e fiz novas amizades. Tenho lido, aprendido e vivido.


COMPANHIAS

Tá tendo foto minha com meus amigos ilustrando o post SIM.

Não sei se é consequência dos fatos anteriores, mas eu tenho pensado muito sobre as pessoas com quem eu convivo, e cheguei à conclusão de que devemos nos cercar de quem nos faz bem, e o resto é resto. Fazer amizades não foi coisa exclusiva de 2014, mas aprender a cultivá-las é sim uma novidade. Esse foi O ANO de toda minha vida social, e espero que ano que vem eu possa ficar cada vez mais bêbada com todas as pessoas que eu gosto. Ok? Ok!


ESCRITA

Prometo que vai ter menos página em branco em 2015.

Juro que eu vou parar de querer fugir dos blogs, na moral. Eu sempre digo "chegaaaaa, não quero mais escrever, estou muito ocupada, minha criatividade acabou de vez", mas passa um tempo e eu começo a observar o mundo e escrever sobre ele. Talvez um dia eu publique algo sério com minhas próprias palavras, mas é um talvez muito remoto porque ainda não vejo grandes coisas extraordinárias na minha escrita, mesmo meus pais dizendo "MEU DEUS, VOCÊ TEM QUE PUBLICAR SEU LIVRO". Não levo a sério opinião de pais, porque né... SÃO PAIS, AFINAL!!! A função dos pais, desde que mundo é mundo, é colocar os filhos pra cima. Digamos que eles têm desempenhado bem o papel nesse aspecto.


No mais, eu desejo MUITO que 2015 traga sensações novas, continuidade das coisas boas de agora e muito, mas muito bolo de chocolate mesmo porque abstinência é uma coisa que eu não pretendo passar no ano que virá.
Não desejo mais nada além disso pra mim, porque acho que passagem de ano é uma coisa simbólica. Um dia após o outro é um dia após o outro. Não acredito em nada de grande extraordinário que vai acontecer do dia 31 para o dia 1º, pelo contrário, creio que as mudanças são graduais. Muita moderação ao desejar coisas na virada do ano, porque as metas de fim de ano geralmente não dão certo pra mim, e aliás eu não conheço NINGUÉM que tenha cumprido as metas, vejam só.
De qualquer forma, desejo tudo de bom pra todo mundo que lê meu blog e que o ano de 2015 seja bom pra todo mundo! <3 Obrigada por me acompanharem até aqui e ano que vem tem mais devaneios meus sobre essa coisa chamada VIDA. Beijos da gorda!

Vou deixar essa gif que parece ser de 10 anos atrás aqui no final do post, beleza?