quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

RIP

Depois de muito pensar o que diabos eu faria com esse blog, decidi por bem que era melhor terminar.

Mas como sou teimosa, migrei pra um lugar muito mais fofinho: o Dona dos Gatos.

Me visitem lá <3

sábado, 15 de agosto de 2015

Vamos Falar de Filmes Ruins #4

Nesse meio tempo em que passei fora, houve muito a dizer. Fiz mudança de uma casa pra outra, perdi um saco cheio de coisas importantes que nunca nessa vida vou recuperar (agendas com valor sentimental e tudo o mais), mas também vi alguns filmes, pois ninguém é de ferro. E se tem algo que me acompanha nessa grande jornada estranha que é a vida são filmes ruins.

Ontem foi um desses dias em que simplesmente cansei de fazer tarefas importantes como jogar conversa fora no Facebook pra dar atenção à minha mãezinha que chegou em casa com filmes novos.

- Olha, comprei esse filme aqui porque achei bem interessante.
- Legal, é com aquele ator que sempre faz papel de gente esquisita e com fobia social, né.

Duplo: Um filme que consegue ser PIOR que Dogville - e esse é um filme bem ruim
Consegue ser pior que a visão do Nicolas Cage em todos os desenhos da Disney

Achou bizarro? Veja mais aqui.
Antes que me crucifiquem por ter falado mal de Dogville e de toda a genialidade pseudo cult do Lars Von Trier, devo dizer que: sim, não tenho paciência pra filme que não tenha linguagem no mínimo próxima do mainstream. Não faço faculdade de cinema e não sou obrigada MESMO. Digo com todas as letras que o único filme que gostei do Lars Von Trier foi Ninfomaníaca, e falo isso sem peso no coração porque OLHA, SÉRIO, QUE PUTA FILME CHATO ESSE DOGVILLE. 

Ok, vamos falar de Duplo. A premissa é: um cara, Simon James (Jesse Eisenberg), está apaixonado por sua colega de trabalho Hannah (Mia Wasikowska - fui dar um Google nesse nome porque ô nome difícil, né minha filha), mesmo sem nunca ter falado com ela. Simon não tem amigos, não leva jeito pra interações sociais simples, não é notado no trabalho, e até sua mãe, uma senhora idosa e senil, não gosta dele. Ou seja, o cara está na merda. Como se não bastasse, um belo dia chega ao trabalho um novo empregado totalmente diferente dele: extrovertido, amado pelos colegas, com atitude e jeito para mulheres. É CLARO que o cara, James Simon, é um duplo dele - algo tão, mas tão explorado no cinema que o roteiro parece ter sido uma colcha de retalhos de uns mil outros filmes sobre o gênero. A tensão começa no momento em que Simon é o único que vê a semelhança entre ele e James.


O começo é extremamente empolgante, confesso, pois o cenário é atemporal e futurista. Porém a genialidade disso passa longe, já que parece ser uma cópia mal feita de Laranja Mecânica. A música também é um tanto quanto curiosa: escolheram várias músicas japonesas que lembram a década de 70, e elas deixam a narrativa muito engraçada. Ok, essa parte é bem legal. E muitas das vezes o som dos violinos se mistura ao som de máquinas, ruídos urbanos e outros sons depressivos que compõem a imagem.

Mas, mesmo com pontos positivos, por que Duplo entrou na sessão do Vamos Falar de Filmes Ruins?
Resposta: porque eu quis.
Não, brincadeira!
Porque Duplo deixa no ar uma série de perguntas sem resposta ao longo de 90 minutos. Talvez isso seja o que mais me irrite em filmes que fogem à lógica mainstream (não que filmes mainstream não estejam sujeitos a levantarem perguntas sem resposta, vide Inception e seu final que me dá raiva, mas isso é mais frequente em filmes fora do grande circuito comercial). Não tem nada que eu deteste mais que um monte de simbologia que aparece na tela e você fica tentando adivinhar o que tudo isso quer dizer. E às vezes não quer dizer NADA.
Tem umas cenas em que aparece uma galinha sendo morta ou sei lá, o filme acabou e ainda não vi ligação alguma da galinha com o resto do filme. Também introduziram uma senhora muito. estranha. do mesmo asilo da mãe de Simon que virava pra ele e dizia algo como "Você é um rapaz muito esquisito" e essa foi a grande frase de efeito dela (?????). Nossa, aparecem outras coisas tão bizarras que não tenho nem como descrever para vocês de forma fidedigna: um padre que mais parece o anticristo, pessoas bizarras que trabalham para a polícia, a própria Hannah que parece não comer direito há meses.
Fora isso tem algo que me irrita muito em Simon: ele não gosta simplesmente da Hannah. Ele a persegue. Observa a moça dia e noite. Mora na frente da casa dela e tem UM MALDITO TELESCÓPIO APONTADO PRA JANELA DELA. Ele vasculha o lixo dela!!! Isso não é gostar, isso é ser stalker.

Vejam, muita gente assistiu e disse NOSSA, QUE FILME GENIAL. Sinceramente? Nessa temática de duplicidade e loucura, sou muito mais Fight Club que pelo menos tem o Brad Pitt sem camisa  com a cara toda arrebentada batendo nos outros - não há tantas definições de paraíso equivalentes.

+ Brad Pitt
- Jesse Eisenberg

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uma carta de despedida

Uma vez prometi a mim mesma que nunca mais escreveria com raiva. De fato, isso durou muitos anos. Qualquer rascunho sobre minha vida amorosa ou sobre a relação com a minha família era descartado, queimado, mandado pra lixeira ou para a estratosfera. Sobrevivi a essa promessa, e digamos que tenho cumprido com afinco, já que sinto raiva quase cem porcento do meu tempo. Então, quando fico bem puta da vida, saio quebrando as coisas que estão no meu caminho, gritando e explodindo como sempre faço. Não escrevo nada.
Dessa vez o que aconteceu não foi exatamente uma explosão. Foi um desabafo, mesmo que dito em poucas palavras.
Eu gosto de mulheres. Eu nasci assim.
E às vezes, se eu me concentrar, consigo sentir o cheiro da chuva que caía quando tive coragem de dizer isso em voz alta pela primeira vez, na frente de outras pessoas. O dia era cinza e os carros passavam como vultos por nós dois. A água da chuva se misturou com as águas dos meus olhos, que jorravam e caiam majestosa e silenciosamente na pele febril. 
Não é raiva. Dessa vez é tristeza. Daquelas profundas, cujo pensamento me acompanha ao longo de dias, meses e anos. Reside aqui a vontade de pertencer a outro corpo, ser outra pessoa por um dia ou dois. Uma carência de algo que recebi um dia, mas que hoje só restou a lembrança: amor. Não me refiro ao amor romântico dos filmes com o Matthew McConaughey, mas o amor mais puro e simples de uma pessoa para a outra. Pai e filha. Depois dos doze anos, passei a aguardar ansiosamente o dia em que eu seria abraçada de verdade, e nesse dia não haveria nada mais entre nós além de um amor sincero. Então esperei, esperei e esperei. Fitei a janela milhares de vezes esperando você chegar, me pegar no colo e dizer:
- Está tudo bem, criança.
Por vezes, tentei nos aproximar. Aprendi a tocar violão porque você tocava. Ouvi Legião Urbana porque você ouvia. Assisti Matrix e memorizei cada diálogo de cada cena, porque tudo isso fazia sentido para você.
Nada disso aconteceu. Aos quase vinte e um anos, percebi o quanto isso é difícil. Estou fadada a odiar todos os meus aniversários, todos os dias dos pais, todos os feriados. E quando todos estiverem reunidos em volta da mesa, analisando cada pedacinho da ceia natalina, estarei num canto escuro da sala segurando na mão esquerda uma taça de vinho e desejando profundamente mergulhar nela até não restar mais nada. Não terei filhos, pois a ideia de odiar os próprios filhos como você me odeia parece assustar mais do que qualquer fantasma. Todos os dias, depois de uma longa jornada de trabalho, deitarei no travesseiro e pensarei com meus botões: é assim a vida adulta?
Isso não é justo, ou ao menos não parece ser. Você segue os ensinamentos de Jesus Cristo, salvador de todas as almas, e ele diz:
- Amai ao próximo como a ti mesmo.
Tem uma parte sobre honrar o pai e a mãe sim, e talvez seja justamente esse o problema. Honrei meu pai e minha mãe? Para você, não.
Mas fiz tudo que estava ao meu alcance. Achei que seria uma boa fugir ao óbvio da eterna adolescente rebelde e passar a seguir os conselhos dos pais: terminei o ensino médio com distinção, entrei numa faculdade boa, não fui mãe adolescente, não tive namorados problemáticos, não uso drogas ilegais, tenho um plano de vida concreto e sonhos de grandeza. Sou bem heteronormativa: uma garota que faz as unhas, depilação, hidratação no cabelo, usa vestidinhos floridos e maquiagem. Bem feminina. Só não consegui ser a filha perfeita, pois enquanto tudo acontecia dentro da normalidade, por baixo dos panos tive algumas experiências pouco católicas com outras moças da minha idade. Reprimi tudo isso, castiguei meu corpo e minha alma, para fazer a vontade de uma pessoa que deveria me amar incondicionalmente. Agora você me pune moralmente porque quer que eu seja outra pessoa. Você não é cristão e nunca será. No futuro, talvez você olhe a família reunida no fim de ano, e a pergunta silenciosa será: por que ela não está aqui com a gente?
E já respondo de antemão: porque estou triste e sempre ficarei assim quando lembrar de você, de todas as coisas ruins que você me disse. E cada vez que eu tiver chance de fugir de você, farei. Juro que não é raiva. E o mais importante: não se preocupe, o castigo divino já me proporcionou a vida de merda que você provavelmente deseja pra mim. Quando saio pro mundo, quando tenho que encarar outras milhares de pessoas que pensam exatamente como você, levo as chibatadas nas costas. Elas cospem em mim, me xingam, me mandam para o inferno. Porém, elas não são minha família. Não me viram crescer. Não moram comigo, então não fazem diferença alguma. No seu caso, essa foi a maior apunhalada que eu poderia ter recebido em vida. Para você, eu não passo de um câncer, a escória da humanidade. Você viu meus olhos se fecharem para que meu corpo pudesse ser entregue ao Deus da Morte.

Você perdeu sua única filha.

domingo, 12 de julho de 2015

Blogagem Coletiva: Coisas que todo mundo ama e eu odeio

EITA, QUE SUMIÇO FOI ESSE?

Gente.
Que vergonha. Eu praticamente morri pra esse blog.

A verdade é que minhas férias começaram agora e estou aproveitando intensamente como se fosse morrer amanhã. Só na primeira semana já assisti Sense8, Demolidor, comecei Under the Dome, Orange is the New Black e todas as séries que as pessoas me recomendaram com "vai, assiste aí que é legal". Nesse meio tempo também fiquei bastante alta dos álcools da vida (eu fui ao Porão do Alemão. De novo. Com minha mãe.), então cá estou depois de toda a cura da ressaca.

Mas vamos falar da blogagem coletiva do Círculo Secreto e desse tema maravilhoso: coisas que todo mundo ama e eu odeio.

Diria que tenho uma certa qualidade pra odiar coisas. Parece que, quando está todo mundo andando em uma direção, eu abro caminho e saio correndo na outra. Juro que não faço de propósito, pra ser do contra ou a chata do rolê que só reclama. Mas acontece. Sempre acontece. Eu tô sempre odiando tudo. Esse post é quase uma roleta do unfriend, acho que a visão que vocês poderiam ter de mim como uma pessoa legal e descolada vai... Hum, digamos, SUMIR.


1. Scarpin (que a Larissa me corrigiu e disse que o nome é Meia Pata, mas que a vida inteira chamei de Scarpin pois sou uma alienígena)

Como que anda com isso? Tem tutorial no YouTube?
Na verdade, acho esse tipo de sapato a coisa mais linda! Só que no pé dos outros. A vida inteira evitei saltos que não fossem anabela, porque salto anabela é vida, é comprometimento com a beleza e a segurança. É ir pra balada e não ficar com os pés cansados. É poder chegar bêbada em casa e não correr o risco de tropeçar.
Esses dias comprei minha primeira sandália com salto agulha, pois enfiei na minha cabeça que, até a formatura da faculdade acontecer, eu PRECISO aprender a andar com isso sem parecer um pato. Depois conto pra vocês como está sendo minha experiência, mas no geral: É UMA MERDA.


2. Comprar roupas

Esse filme não faz sentido nenhum pra mim.
É UM SACO ficar experimentando roupas. Fico indecisa, levo umas 10 blusas completamente iguais pra experimentar nos provadores, me atrapalho toda, fico puta da vida se tiver que experimentar calça jeans e precisar tirar a roupa, começo a suar, hiperventilar, me olhar no espelho do provador e ter um ataque porque meu cabelo está fora do lugar. Vou pagar e sinto que levei mil tiros porque uma simples regata custa VINTE REAIS, e aí eu pergunto a mim mesma se preciso mesmo dessa regata, mas no fim eu levo pois afinal é uma regata, e quem não precisa de regatas?
Mas isso é em loja física, E COMPRAR PELA INTERNET???????? Sempre fico achando que tô tirando minhas medidas de forma errada, que vai vir num tamanho muito pequeno ou muito grande, que vai vir com defeito e eu vou ter que trocar, vai dar problema na hora de trocar, vou ter que ir ao PROCON porque o produto não chega, faz B.O na delegacia, escreve textão no Facebook falando mal da loja...


3. Tecnologias modernas

Esse filme me dá agonia.
Poucas coisas me irritam com tanta facilidade como a tecnologia atual de touch screen, programação em nuvem, layout responsivo, HTML5 e tantas outras modernidades que não existiam em 1994.
Nem sou velha, sabe? Tenho 20 anos. Mas me atrapalho toda na hora de mandar mensagem pelo celular, PORQUE NÃO FAZEM MAIS CELULARES COM BOTÕES FÍSICOS, fico com vontade de jogá-lo na parede toda vez que trava. E quando você tá precisando muito ligar pra sua mãe, seu celular simplesmente apaga e não liga nunca mais, tem que ficar andando com carregador na bolsa ou mendigar carregador pros seus colegas de turma que, visivelmente, te odeiam. Agora inventaram um notebook com tela touch screen, porque tem que cagar MAIS a minha vida, né? Mesma coisa a SmartTV, que parece ser uma boa, mas quando você vai usar descobre que trava tanto quanto seu PC com 500mb de memória RAM.

E aí eu me pergunto: como vai ser quando eu tiver, sei lá, 50 anos?
EU VOU PIRAR.
Como já diria Bourdieu, aquele sociólogo francês, todo jovem é o velho de alguém.


4. O tão famigerado NUDE

Esses pedidos são difíceis demais.
Parecia ser uma ideia legal no começo. Você tá de boas na sua cama, de repente seu celular vibra (MAS EU AINDA TE ODEIO), você abre o Whatsapp, recebe foto daquele peitinho maroto, dá aquela xavecada básica e marca uns lances aí pra semana que vem.
Depois você percebe que tá tudo errado. A pessoa começa a te mandar nude no meio do almoço de família, seu irmão mexe no seu celular, pergunta por que tem tantos peitos na sua galeria de fotos, surge uma cobrança para que você mande seus nudes também, mas você não quer mandar nudes e sim ter um romance puro e sincero, sem peitinhos, e nesse meio tempo seu pai descobre que tem uns nudes rolando pelo seu celular e chama a família toda para ter uma conversinha sobre pedófilos da internet, MAS PERA, você tem 20 anos e sua crush tem 18, e ainda por cima vocês se conhecem pessoalmente!
Não que isso tenha acontecido comigo, mas né...
VAI
QUE
ACONTECE


5. Filmes de Terror

Pra que tanto ódio nesses dentes?
Apesar de curtir bastante Sobrenatural e derivados, queria TANTO só ver Ursinhos Carinhosos e outras coisinhas fofas <3 Sou bem medrosa. Só assisto filmes de terror se tiver alguém consideravelmente mais forte que eu pra essas coisas. Meu irmão tem 16 anos e viu REC sozinho, aos 14, já eu tive que pedir ajuda aos universitários (que no caso era ele mesmo).


6. Sonho de valsa

Brother... Na boa...
Uma vez eu participei de um amigo doce. Fui bem clara quanto às minhas preferências: chocolate branco ou talento com castanha-do-pará. FUI BEM CLARA, SABE?
E aí a pessoa chegou no dia e disse que não sabia exatamente do que eu gostava, então comprou Sonho de Valsa porque é um gosto universal. VÁ PARA A PUTA QUE PARIU.


7. Inverno

Olha isso, cara, OLHA ISSO.
Gosto de climas que não são nem muito quentes, como o clima tenso daqui de Manaus, nem muito frios, como eram os invernos de Foz do Iguaçu.
A parte de usar bastante roupa, pra mim, é um problema: eu colocava dois pijamas, uma calça que não combinava com o casaco, um cachecol que não combinava nem com a calça e nem com o casaco, um gorro que deixava meu cabelo acabado, luvas horríveis azul-bebê e um sapato nada a ver com todo o resto. Isso de se vestir bem é lenda quando você precisa realmente se aquecer. Eu não estava nem aí se meu visual não tinha um pingo de glamour, só queria mesmo desviar do vento gelado que vinha me cortando ao meio toda vez que eu precisava ir pra escola às 6h da manhã. Dava pra sentir meus pés quebrando o gelo que se formava na grama, enquanto caminhava. ISSO-ME-DAVA-AGONIA.
E pra dormir? Três edredons, duas meias, duas calças, três camisas com manga, e eu ainda passava a madrugada toda me tremendo!
Já na primavera era lacração total, aposentadoria das roupas feias do inverno, flores crescendo, pássaros cantando e a vida voltando a fluir normalmente.

Odeio frio. Com. Todas. As. Minhas. Forças.


8. The Big Bang Theory

Zzzzzzz
Desculpa pelo vacilo, sociedade. Mas que série chata!


9. Dormir

Mas olhando por esse ângulo, nunca foi tão lindo dormir.
Uma coisa que faço pura e simplesmente por ser extremamente necessário. Sempre acho que estou perdendo algum tempo precioso que poderia ser usado pra estudar, ver séries e filmes, transar, fazer caminhada, comer, resolver o problema da paz mundial, consertar o cano da pia do banheiro que tá com água vazando, escrever, dançar ou até mesmo entrar em crise existencial. O ruim é que tenho estado tão cansada que não tenho escolha: durmo e durmo muito, porém com muito peso na consciência.


10. Loser Manos


Pois. É.
The treta has been planted.
Eu sei, eu sei. Milhões de fãs. Muito além de Anna Julia. Reinventaram a música popular brasileira etc etc. Mas sinceramente? Acho um porre essa geração "good vibes/bater palma pro sol, gentileza gera gentileza, sandália papete feat saia longa com estampas psicodélicas, fumar o cigarrinho até a ponta, só ouço música nacional, saudosista porém não curto Caetano pois muito metido e superestimado, tatuagem de apanhador de sonhos na costela, brinco de pena, grupo de estudos de textos do Foucault" (nada contra Foucault, inclusive amo Vigiar e Punir). Tem uma crônica, que circula pela internet desde que Jesus ainda era vivo, cujo título autoexplicativo é: Como me fudi no show do Loser Manos. Sintetiza bem o que espero dessa geração.
E as músicas...
Bem, as músicas...
Dão muito sono. Já falei pra vocês que odeio dormir?

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Esse post faz parte da blogagem coletiva do Círculo Secreto das Bruxas Blogueiras, um coven secretíssimo que reúne só as mais poderosas bruxas da antiga blogosfera. Fique de olho nos blogs participantes. Corvos estão voando e cartas estão sendo entregues.

domingo, 14 de junho de 2015

Tutorial: como ir a um bar de metal com sua mãe

Isso aconteceu no carnaval de 2014. Tem um bar aqui em Manaus que é o meu queridinho, o Porão do Alemão. É literalmente um porão! Você desce as escadas e encontra um bar subterrâneo com palco, telão e outras coisas maneiras. Tem uma bebida chamada Mariana. Tem outra bebida chamada Inferninho, cujo ponto alto é o barman usando um maçarico pra tocar fogo no copo. A música gira em torno de rock e metal, majoritariamente. E...
A primeira vez que eu pisei nesse bar foi com a minha mãe.
O que eu vou narrar não foi a primeira vez de fato. Na minha primeira vez, eu ainda era menor de idade, estava saindo de um casamento com minha mãe e meu tio, que frequentam o bar há mais de 10 anos! E lá estava eu com vestido de festa e saltinho delicado com a minha família ouvindo clássicos do rock. Foi lindo.
Mas não vou narrar esse dia. Vou narrar o dia em que eu fui com minha mãe ao Porão no carnaval. Ela viu um flyer circulando pela internet de que o Porão abriria às 14h da tarde e não teria hora pra fechar.
"Vamos fazer um carnaval para os roqueiros", eles disseram.
"Mais de 1000 caipirinhas liberadas", eles disseram.
"Vamos nos arrumar e ir de ônibus", ela disse.
Vesti uma blusa de caveirinhas, uma calça jeans e meu coturno (que é quase parte do meu pé de tanto que usei).
"Fernanda, você vai tomar conta dos meus cartões e do dinheiro, porque eu vou tomar caipirinha e outras coisas".

Chegamos lá e isso aconteceu: esquecemos nossas identidades em casa.
"Vocês não vão entrar, estão sem a identidade."
"Mas senhora, eu tenho 40 anos e estou com a minha filha de 19 anos."
"Como eu vou saber que vocês são maiores de idade?"
"SENHORA, EU ATÉ TENHO CABELO BRANCO, OLHA AQUI!", disse minha mãe praticamente arrancando seus fios espessos da cabeça.
"Não interessa, não vão entrar."
O mais absurdo é que do nosso lado tinham vários homens entrando sem precisar mostrar a identidade.

Decidiram que deixariam a gente entrar, afinal minha mãe é uma frequentadora praticamente assídua do Porão. Digamos que ela vai a esse bar desde quando ele ainda iam só as pessoas que gostavam de metal mesmo.
"Esse lugar já foi melhor frequentado", ela disse.
Nesse dia, já tinha tanta gente que não dava nem pra se mexer direito. Descíamos as escadas, a caminho da perdição, agarradas uma a outra para que não caíssemos na escuridão do bar.
E então começou.
"Fernanda, eu vou pegar caipirinha antes que acabe. Você quer também?"
"Quero".
Mas naquele dia eu não aguentei tomar minha caipirinha, acho que pela preocupação de estar acompanhando uma mãe visivelmente alegre com seu segundo copo de caipirinha.
"EU SOU DO TEMPO EM QUE A CAIPIRINHA VINHA NO COPO DE VIDRO, NÃO NESSES COPOS FEIOS DE PLÁSTICO!", disse indignada.
Mais tarde eu entendi o porquê das caipirinhas virem em copos de plástico.

A cada duas músicas, tocava uma do Charlie Brown Jr., porque nesse dia o público estava muito diversificado, então eles não poderiam tocar música "muito pesada".
"ESSA MÚSICA TÁ MUITO CHATA, VOU BEBER MAIS", disse minha mãe.
A essa altura eu estava hiperventilando, estressada com aquele monte de gente que saiu de casa pra ouvir a porra do Charlie Brown Jr. Eu queria ouvir Metallica, Pantera e aquilo que tocava sempre no Porão.
"MÃE, TÁ TOCANDO MAN IN THE BOX!!!!! FINALMENTE UMA MÚSICA BOA!", gritei de alegria, mas minha mãe já estava rindo à toa, e eu fiquei no vácuo.

JEEEEEESUS CHRIIIIIST (seria interessante vocês darem play nisso e sentirem a vibe)

"FERNANDA, A GENTE TEM QUE COMEMORAR, PORQUE VOCÊ PASSOU EM DIREITO E EU TAMBÉM! VOCÊ NA ESTADUAL E EU NA FEDERAL, A GENTE TEM QUE BEBER MUITO!" disse, mas a minha primeira caipirinha ainda estava na minha mão, com o gelo derretendo e tudo. Mamis suprema decidiu que era hora de tomar a minha caipirinha antes que virasse só água.
E aí ela puxou assunto com uma galera jovem que estava perto da gente comendo umas batatas. Daí ela gritou:
"MINHA FILHA PASSOU PRA DIREITO!"
"UHUUUUL, PARABÉNS!"
E ela gritou: "E EU TAMBÉM PASSEI!"
E eles ficaram surpresos, pois não é todo dia que mãe e filha passam para o mesmo curso - muito concorrido - no mesmo ano.
Além disso, algumas pessoas ficavam surpresas quando ela dizia que era minha mãe, porque "NOSSA, VOCÊS PARECEM IRMÃS!". Não sei se eu pareço velha demais ou minha mãe nova demais, acho que um pouco dos dois.
Depois, mamis suprema tomou um Inferno e fez amizade com uma mulher detentora de um balde de cervejas long neck. Então tomou umas cervejas também, porque a mulher disse que não conseguiria beber tudo aquilo.
"Fernanda, você quer cerveja?"

Você perguntou se eu quero cerveja, é isso mesmo produção?
Eu não bebi cerveja, pois estava muito pilhada e preocupada com minha mãe animada dançando ao som de Charlie Brown Jr. Preferi ficar na água mesmo.
"A MÚSICA É RUIM MAS EU TÔ FELIZ. FILHA, EU JÁ FALEI QUE TE AMO? EU TE AMO MUITO, TÁ? VOCÊ ME DÁ MUITO ORGULHO TODOS OS DIAS"
Definitivamente ela estava bêbada. Foi tentar mandar mensagem pelo celular, mas: o celular estava zoado e a capa caiu no chão. Tive que mergulhar no mar de pessoas pra achar.
Decidiu que seria uma boa comermos batata frita. A batata frita do Porão é magnífica, cheia de maionese com orégano e outras coisas maravilhosas.
"VOU COMPRAR BATATA FRITA PRA MINHA BEBÊ", ela disse. A bebê sou eu.
Daí começou a tocar reggae e eu falei: "CHEGA, VAMOS PRA CASA, MÃE". Olhem bem pra minha cara de que vai ouvir reggae e agir passivamente.
Nesse meio tempo, pessoas que estavam ao meu lado derrubaram uma garrafa de long neck no chão, tinha vidro pra todo lado e um cara que estava de chinelos cortou o pé. Agradeci por estar de coturno e entendi o porquê das caipirinhas não virem mais em copo de vidro.
Ainda era umas 22h, e o ônibus demorou muito a passar. Minha mãe vinha caminhando meio bamba, com o braço em volta do meu ombro e falando:
"Deve estar sendo difícil pra você cuidar de mim, VOCÊ ESTÁ COM OS CARTÕES DE CRÉDITO, NÉ?"
"Estou, mãe. Estão aqui."
"Puxa, que filha responsável essa minha!"
O fato é que o ônibus demorou tanto que minha mãe nem estava mais bêbada.

Depois de ter saído algumas vezes pra outros circuitos da noite amazonense, chego à conclusão de que: não é a mesma coisa sair sem minha mãe. Primeiro porque nem todo mundo que conheço topa ir ao Porão do Alemão, já que lá só toca música chata (leia-se: não toca sertanejo universitário). Ninguém topa ouvir Rammstein, mas minha mãe topa. Meus amigos não sabem todas as músicas do System of a Down de trás pra frente, mas minha mãe sabe. E ninguém compra batata frita pra mim de tão boa vontade, só minha mãe faz isso.
Pra quem possa achar que ir pra balada com a mãe é a pior coisa que pode acontecer na vida de alguém e isso é o cúmulo do ostracismo social, só digo a vocês: sinto muito se a mãe de vocês não é legal e descolada. Mas a minha é. E, embora tenha sido caótico, foi o melhor carnaval da minha vida.

Inseparáveis há mais de 20 anos.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Esse probleminha insuportável chamado carência

Antes de mais nada, queria dizer que não morri. É só que tenho objetivos loucos de dominação mundial através da leitura de textos enfadonhos do Direito, então fiquei esses dias tentando provar pra mim mesma que eu conseguiria tirar um 10 na prova de Direito Penal e acabei não postando nada no blog, nem respondendo aos comentários. Cheguei bem perto, como vocês podem ver nesse acontecimento aqui.
Pois bem, eu sou o tipo de pessoa PEDANTE que não consegue falar sem ter plateia. A simples ideia de treinar para um seminário sem ter uma alma pra me ouvir corta meu coração de uma forma que vocês não imaginam. Se não tiver ninguém em casa, eu ponho minha gata no sofá e falo: AGORA VOCÊ VAI SABER UM POUQUINHO SOBRE LICITAÇÕES E CONTRATOS, SENTA AÍ CAPITUUUU. Ela faz MIAU e vai embora, lógico, porque não dá pra controlar gatos e nem pessoas do signo de Áries e Sagitário, sabem? Então, se vocês me virem algum dia na rua, vão reparar que sou aquela pessoa que fala e gesticula freneticamente contando um caso qualquer de não muita relevância, para mais ou menos 10 pessoas. I am the Zé Graça™.
Lembro que quando resolvi criar um blog, minha mãe virou pra mim e falou "Vai ser tipo um diário, né? Com seus desabafos que só você vai ler etc." e eu fiquei ofendidíssima e respondi

MAS É CLARO QUE NÃO, MEU BLOG VAI SER O MAIS GRANDIOSO DO MUNDO E TODO MUNDO VAI LER E ME SEGUIR, E VOU FUNDAR UM NOVO CRISTIANISMO QUE SE CHAMARÁ FERNANDISMO 

Algumas coisas dessa frase são mentira, claro.

De qualquer forma, criei o blog e cá estou contando isso pra vocês.
E eu, na realidade, comecei a reparar que, embora eu esteja mesmo rodeada de um monte de pessoas que ouvem minhas histórias - com excessiva atenção, devo acrescentar, pois não são boas histórias -, sinto-me paradoxalmente sozinha, no fim das contas.
É bem duro admitir isso, principalmente pra mim. Durante toda minha vida, tentei passar a imagem de que sou forte e autossuficiente, ou seja, que não preciso de nada nem ninguém. Depois que comecei a me alinhar ao movimento feminista, mais ainda. Qualquer mero sinal de fraqueza meu era respondido com um VRÁÁÁÁÁÁÁ na minha mente. Porque você tem que ser forte, né? Tem que ser a durona, caminhoneira que faz tatuagem no braço musculoso e fala grosso pra toda e qualquer pessoa que te ameaça. E passei um tempão dando vrá em mim mesma, até que...
Bem.
Descobri que sou carente mesmo.
Frágil.
Uma franguinha.
Não me refiro a namorico nem nada, embora eu seja aquela mulher que espera um romance tipo os da Jane Austen: puro, verdadeiro e casto. Mas a carência é de mundo mesmo, de vivência. O mero sinal de que sou só uma poeirinha no universo me deixa triste. Vejam bem, é que parecem existir tantas coisas grandiosas no mundo, tanta coisa para aprender do universo e passar adiante, que me sinto pequena. Não gosto de ser pequena - meus 1,58cm não me satisfazem e eu uso coturno pra parecer mais alta, falo mesmo. E, por conta disso, tenho tentado incessantemente chegar todos os dias aos meus limites mentais, para que um dia eu me sinta grande o suficiente. Porém, sei que esse dia nunca chegará. É tipo... Sabem quando Platão resolveu que seria uma boa contar a história de Sócrates, que morreu sem ter escrito nada? Tem uma passagem do livro de Platão que diz assim:
[...] aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber.
A filosofia, meus caros, é uma coisa muito transante e sensual. Fale disso comigo e eu vou querer ser sua esposa para todo o sempre.
Mas voltando à filosofia clássica, o que Platão quis dizer que Sócrates quis dizer com essa frase é: só sei que nada sei. E todo mundo fica quotando o "só sei que nada sei" mas essa frase nem existe no livro do Platão, se vocês querem saber.
FERNANDA TAMBÉM É CULTURA.

Onde eu tô querendo chegar?
Ao fato de que nenhuma verdade jamais será absoluta no mundo. Isso me deixa EM PÂNICO.
Porque fico a porra da madrugada inteira lendo um monte de textos e fazendo mil reflexões na minha mente, participando de grupos de debates, vendo filmes cujo enredo não quer dizer absolutamente nada além de "vamos botar essas imagens de natureza morta aqui e dizer que é cult" e pra que?
Pra ser grande.
Pra saber alguma coisa.
(Acho que o maior exemplo desse tipo de filme é Árvore da Vida, preciso fazer um post sobre ele no tópico de filmes ruins)

Criei o costume de deixar um monte de aba aberta com textos pra ler na internet. E esse costume maravilhoso fez meu notebook dar tela azul outro dia porque tinha umas 50 abas abertas e só o que me ocorreu foi:


Quanto mais estudo, mais vejo que talvez eu nem seja essas coca-colas todas. Ainda tenho tanta coisa pra aprender, e não sei como serei daqui há 15 anos!!! Isso me assusta. Quero ser inteligente, e conhecer tudo sobre todas as coisas do mundo, nem que seja só um pouquinho. Quero ter filhos, ser uma boa mãe e dizer pra eles "VOCÊ ESTÁ FAZENDO MERDA, O CAMINHO É ESSE AQUI, CRIATURA" (?). E não sei se serei capaz de fazer isso de forma sensata, porque a impressão passada a mim é que serei o tipo de mãe que abraça os filhos o tempo todo e não quer que eles cresçam nunca porque tem medo do que o mundo pode fazer com eles - tipo eles casarem e esquecerem que você existe.

"Mãe, me solta, eu não tô conseguindo respirar. MÃE. MÃE EU REALMENT-"

Então, sei lá, só gostaria de não sofrer por antecipação e não sentir o vazio existencial da vida mundana.
Tá tão difícil :(

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Um desses sonhos loucos inesquecíveis

Sabe quando você conhece o amor da sua vida mas essa pessoa mora há quilômetros da sua cidade? Mesmo sendo um lance impossível, você consegue imaginar como seria seu casal de filhos com essa pessoa, como seriam as brigas e como vocês fariam pra conciliar o trabalho com a vida familiar e aquela viagem que vocês estão planejando pra levar as crianças à Disney. No fim, você acorda pra vida.

É claro que eu tô falando da Ellen Page!!!
Mas não é disso que eu vou falar não! pra alegria de vocês, porque definitivamente esse é um assunto chatíssimo

Quero contar pra vocês um sonho engraçado que tive um dia desses (eu pelo menos achei engraçado - o que não é garantia de nada, já que geralmente amo coisas no sense).

Eu estava numa cidade bem grande, acho que era o Rio de Janeiro, porque tinha várias ruas com ladeiras, escadarias, estações de trens e metrôs. A cidade estava cheia de gente pelas ruas entrando e saindo das lojas, porque aparentemente era Black Friday.
Isso mesmo.
Black.
Friday.

Isso significa que, até no sonho, uma certa Fernanda continua sendo uma certa Fernanda.
E lá estava eu, andando pelas ruas, enfurecida pelas promoções loucas, fazendo contas pra saber se meu dinheiro ia dar pra comprar tudo. Curiosamente, todas as lojas eram na verdade camelôs. Imaginem o Saara, a Vinte e Cinco de Março ou o Paraguai. Imaginaram? Era a cidade lotada de gente e camelôs espalhados pelas ruas. Caótico? Tá só começando, senta aí.
Tinha três coisas que eu tava procurando, e de alguma forma a minha mente sempre traz coisas bem reais pros meus sonhos bem irreais. Eu queria: um cinto com muitos spikes, porque eu tô sempre procurando cintos com spikes, SEMPRE (mesmo que eu já tenha! Um inclusive que imita balas de fuzil!!!!!); um espartilho pra tight lacing e um coturno de verniz.
Mas era estranho porque quanto mais eu procurava essas coisas, mais eu gastava dinheiro com coisas que eu nunca ia usar (tipo comprar 3 bolsas, sendo que eu só uso mochila). E depois começava a chover, as ruas começavam a alagar, e eu jogava minhas sacolas com as compras dentro em cima de um prédio (???) pra não perder aquilo que já tinha comprado.
E no meio da chuva eu só conseguia chorar e pensar "eu só queria um cinto com spikes, um espartilho pra tight lacing e um maldito coturno de verniz, porra!!". AFINAL, SÃO AS COISAS QUE EU TÔ QUERENDO RISCAR DA WISHLIST TEM UM TEMPÃO (cintos nunca saem da minha wishlist, dica pra vocês que querem me dar presentes no aniversário).
Daí no final eu precisava entrar numa estação de metrô pra voltar pra casa, mas ela tava inundada com água, e na frente das escadas tinha uns caras conversando e um deles pediu meu telefone porque tinha me achado muito bonita.

Então, antes de prosseguir com essa parte, deixa eu esclarecer algumas coisas sobre minha vida.
Todos os caras por quem eu me interessei pelo menos um pouquinho tinham algo em comum: eram bem esquisitões. MES-MO. Daqueles que falam com as paredes, que gostam de ver foto de gente morta, que falam sem olhar nos seus olhos porque são tímidos demais ou que simplesmente acham daora misturar coca-cola com kuat (GENTE?). O tipinho boy de academia, no pain no gain, eleitor do Aécio, camisa pólo, havaianas, emprego perfeito e um carro seminovo total flex nunca me encantou nem mesmo por um minuto.
A não ser o Chris Evans, né.
Porque, por tudo o que há de mais sagrado nesse mundo, estamos falando do Chris Evans e todo aquele peitoral e aquela carinha de anjo.

PELO. AMOR. DE. DEUS. TEM. UMA. CEREJA. NO. LUGAR. DOS. SEUS. MAMILOS.
É. O. CHRIS. EVANS. COM. BARBA. MEU. DEUS. EU. VOU. FICAR. DOIDA.
CH-CH-CHAMA O XAMU.
A questão é: o cara que pediu meu telefone era justamente um boyzinho desses de academia. Não era igual ao Chris Evans, porque nem em sonho eu seria competente o suficiente pra pegar o menino Evans.
E sabem, acredito piamente que sonhos querem dizer alguma coisa pra gente. Afinal, a mente humana trabalha de formas estranhas. E se existe um Deus, ele certamente escreve certo por linhas tortas. Essas linhas são meus sonhos, assim como os carros são como as lanchas, as motos são como os jetskis e os pedestres como os banhistas.
E eu meio que passei meu telefone pra ele, aliás eu tava bem emocionada e agitada porque GENTE, ESSE GATO PEDIU MEU TELEFONE - e ele demorou a gravar na agenda porque o celular dele travou (celulares android travam até no sonho)

Acordei e fiquei pensando nisso.
Estaria eu tendo alguma carência com relação a boys de academia?
Espero imensamente que não. Deve ser uma morte horrível você estar lá na praça de alimentação com o cara, pedir um sanduichão no McDonald's e o maluco soltar um "MAS VOCÊ SABE QUAL A PORCENTAGEM DE LIPÍDIOS DESSA BATATA FRITA?". Não dá, é broxante demais. Deve ser impossível ter celulite perto deles. E pneusinhos lindos. E vontade de comer no fast food. E essas pessoas têm um olho clínico pra ver quantos porcento de gordura você tem no corpo. Eu ia querer transar sempre com a luz apagada, tem coisa pior que isso??????

Uma vez eu disse isso num  c e r t o  g r u p o  d o  f a c e b o o k  e repito aqui:
Bissexualidade é uma coisa estranha.
Sua sexualidade flutua no espaço-tempo, passa pelo buraco de minhoca, percorre a rodovia Rio-SP umas 30 vezes e volta pro mesmo lugar. E depois faz tudo de novo. Mais umas mil vezes.
Já parei de tentar entender e atualmente estou só acompanhando o fluxo da coisa toda.
Tem dado muito certo até agora, exceto pelos malditos sonhos com black friday e homens sarados.
E no próximo episódio da série "Devaneios de Fernanda": essa mania que eu tenho de achar homem fardado bonito, mesmo odiando militarismo.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tag: 7 coisas

A Tati Ferrari me indicou há algum tempo atrás pra Tag 7 Coisas, que eu estava guardando para responder num momento em que eu não tivesse tempo para escrever melhor e, ADIVINHEM SÓ, esse momento acabou de chegar porque a gostosa aqui fez o favor de tirar CINCO na prova de Direito Penal I (valia 10, a média da faculdade é 8, e enfim... já me desidratei de tanto chorar).


7 coisas pra fazer antes de morrer.
- Aprender a falar inglês sem parecer um ganso engasgado (?)
- Aprender Direito Penal (POR TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NO MEU MAPA ASTRAL)
- Fazer uma tatuagem
- Ter um filho (comecei a nutrir esse sentimento e nem sei o porquê)
- Pintar o cabelo de uma cor fantasia
- Viajar pra Grécia
- Aprender a tocar teclado (eu só sei tocar os 59s dessa música e não saí disso porque tenho preguiça)


7 coisas que eu mais falo.
- GENTE.
- "A Universidade Estadual do Amazonas é essa merda aí que vocês tão vendo"
- "Qualquer coisa vocês noooooossa"
- PORRA
- "tô bem triste"
- "don't touch my fucking hair please"
- Tipo.


7 coisas que eu faço bem.
- COMER
- Dormir
- Reclamar da vida
- Prova dissertativa
- Apresentar seminário (eu na verdade sou uma verdadeira palhaça apresentando seminário, vocês precisam ver)
- Maquiagem
- Tomar banho cantando em inglês como um ganso engasgado


7 coisas que me encantam
- Bebês quando dão gargalhada
- GENTE BONITA
- Transporte coletivo (são muitas histórias, como vocês podem ver aqui)
- Bandas de metal que tocam com orquestra (mais especificamente essa música do Dimmu Borgir)
- Roupa preta na promoção
- Doces
- Gatos


7 coisas que eu não gosto.
- Contato físico com gente desconhecida (PARA DE ME CUTUCAR ENQUANTO FALA, SEU PORRA)
- Falar ao telefone (às vezes eu desligo o celular no meu aniversário)
- Meus dentes
- Digitar no celular (aí eu fico na dúvida se mando áudio logo, mas lembro que odeio falar ao telefone e fico num loop infinito de ódio às tecnologias)
- Dias muito quentes ou muito frios (nem Deus poderia saber o que eu passo no Amazonas e o que passei no Paraná)
- Racismo, homofobia, machismo, pedofilia e outras opressões disfarçadas de ~piada~ ou ~cantada~ (o que você chama de novinha eu chamo de CRI-AN-ÇA)
- Música pop em geral (pra não dizer Katy Perry)


7 blogs para responder à TAG.


Sintam-se todos bem beijados e até breve. <3

domingo, 26 de abril de 2015

Blogagem Coletiva: 13 medos da Infância

Toda vez que a Larissa Ventura surge com uma ideia nova pra blogagem coletiva, meu coração dispara e eu só consigo pensar em:

UUUUUH EU QUERO VOCÊ, COMO EU QUERO

(Kid Abelha, né? Quem nunca?)

Foi um desafio postar sobre meus 13 medos da infância. Primeiro porque minha infância não acabou: ainda preciso atravessar a rua com alguém segurando minha mão senão eu vou tentar, sem dúvida, me jogar na frente dos carros - ou cagar de medo de morrer atropelada e demorar 15, 20 minutos pra atravessar uma simples rua (já fiz isso). Segundo que lembrar de medos da infância é uma coisa muito pesada, pois sou medrosa em essência e passei vários dias escolhendo só 13 medos pra colocar nesse post. A lista teria uns 1000 medos ou mais. Resolvi começar pelos que considero mais leves e deixar os últimos para os que eu realmente cago de medo até hoje, então vamos lá:
Peço perdão por esse post. Vocês vão descobrir que eu sou uma franguinha em apuros.


1. Máscara do Pânico

Era 25 de junho, Manaus, aniversário de 1 ano do meu irmão do meio, e o tema era festa junina. Minha mãe arrumava meus cabelos em maria-chiquinhas bem simétricas e passava umas fitas neles, e eu estava de frente pra TV. Esta passava um filme que eu nunca tinha visto antes, com uma galera jovem que parecia bem apreensiva. Eis que vi essa cena:


Eu nunca mais fui a mesma depois disso. Lembro que no carnaval do ano seguinte, 2001, todo mundo saía fantasiado de Pânico, e eu me sentia tão MAS TÃO mal.
Depois, lá pelos 15 anos, resolvi ver esse filme de novo e: aff. Que droga de filme chato.


2. Esta capa de disco do Iron Maiden

Capa do Somewhere in Time
Se tinha algo que me incomodava era chegar na casa dos meus avós e me deparar com esse disco na coleção do meu tio. E eu era uma criança bem curiosa, sabem? Mesmo com medo, todos os dias eu ia lá e olhava pra capa enorme na minha frente, com os olhos assustados e pensando: que tipo de música horrível deve tocar nesse disco?
Mas nesse período em que fiquei em Manaus, surgiu um novo amor. E eu amo Iron Maiden com todo meu coração.


3. Charlie Chaplin

Estou começando a achar que tudo o que me deixou com medo nessa vida tem relação com Manaus e as férias que eu passava aqui HAHAHAHA
Por algum motivo nada urban conceitual, meu avô tinha colado no vidro da janela do carro uma foto pequena do Charlie Chaplin. Toda vez que precisávamos ir a algum lugar, a passeio ou para fazer coisas chatas com os adultos, eu já imaginava qual desculpa teria que inventar para não sentar na janela.
"Mas você é a menorzinha, vai sentar na janela porque você vai ocupar menos espaço do que já ocupa", diziam.
E lá estava eu, dividindo a visão da linha do horizonte com essa criatura feia cujo bigode eu ojerizava.

"Fernanda, esse é Charlie Chaplin."
"COMO ASSIM VOCÊ TEM MEDO DO CHARLIE CHAPLIN KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK"

Frases da minha mãe, lógico e evidente.
Hoje em dia amo Tempos Modernos <3 Mas foi difícil crescer e superar tudo isso.


4. Bebês


Seres pequenos, cheios de dobrinhas e fofos. Entidades malignas capazes de fazer xixi em você durante a troca de fraldas. Todos os meus primos mais novos, EU DISSE TODOS, fizeram xixi em mim. Eu tinha medo que a próxima vez não fosse xixi. Até os evitava em festas.


5. Sítio da bisavó Diloca

Sou uma das poucas pessoas que vocês conhecem que tem bisavó viva. Aliás, eu tenho DUAS. E inclusive cheguei a conhecer minha tataravó! Tive sorte, e avós apressados que tiveram filhos muito cedo.
Em uma das muitas vindas a Manaus, tiveram a ideia de me levar ao sítio da bisavó Diloca. Lá não tinha absolutamente nada que uma garotinha da cidade grande pudesse se interessar, mas tinha um cachorro fofo e uma bisavó que sempre fofocava sobre coisas do passado. Mas estamos falando do interior do Amazonas, e algumas coisas nesse interior podem assustar até mesmo uma pessoa de Manaus.
Então, lá estava eu com quatro ou cinco anos de idade, indo ao banheiro sozinha no auge da minha independência, quando de repente fui lavar as mãos. Meus olhos fitaram uma coisa estranha e extremamente grande na pia.


Minha mãe dizia que eu gritava e me debatia, e ela fala "calma, já tiramos a aranha daqui" e eu falava "ISSO VAI ME MATAR, EU SEI QUE VAI".
Fui pesquisar essa imagem no Google e percebo que talvez eu seja aracnofóbica, não sei dizer. Meu coração pula, só falta sair pela boca. Eu vi uma tarântula três vezes na minha vida, duas no sítio da minha bisavó e uma NO MEU QUARTO, UM DIA DESSES, NO LUGAR QUE EU CHAMO DE CAMA.

Inclusive, por falar em aranhas, quero matar o estúpido que inventou essa história de ~colocar as aranhas pra brigar~ (FOI VOCÊ, NÉ RAUL SEIXAS), porque nada nesse mundo pode ser tão assustador quanto uma aranha de verdade, não tem nem comparação com uma coisa tão bonita quanto "conhecer biblicamente" uma mulher, cof cof
Tenho uma amiga que mandou a máxima: "Defendo a união pacífica das nossas aranhas, pois não sou a favor de brigas".
Que fique dito.
E a tarântula nem é venenosa, sabem?


6. Darth Vader sem máscara


Eu sempre pedia pro meu pai avançar a fita nessa cena, achava aterrorizante.


7. Esta capa de Madrugada dos Mortos



O QUE SÃO ESSES ZUMBIS MARATONISTAS, NÃO É MESMO?
Eu era um bebê em 2004, me deixem ter medinho de filmes bobos.


8. Este filme chamado Apanhador de Sonhos

QUE BICHO FEIOOOOOOO
Lembro que assisti a esse filme com meus pais em casa (QUE PAIS IRRESPONSÁVEIS, PUTA MERDA) e fiquei vários dias sem dormir só imaginando algum alienígena entrar no meu quarto e me matar, sei lá.
O filme é uma merda, inclusive. Assisti outro dia quando pensei nesse post.


9. Música do Arquivo X

Os pelos da minha nuca quando começava a música do Arquivo X ficavam lá no alto, mais altos que qualquer torre que vocês já tenham visto na vida. Porque eu sabia que já era hora de dormir, sabia que aquela série não era pra mim, que coisas horríveis aconteceriam dali em diante.



10. Fotos de artistas mortos

Uma vez minha prima fez o favor de me mostrar fotos do Kurt Cobain morto num site especializado nisso, tudo isso pra dizer "viu como não é bom ouvir rock? Todo mundo que ouve rock é um cheiradão que vai morrer com a cabeça estourada". Naquela época me pareceu um bom motivo pra não cheirar cocaína.
O mesmo site tinha fotos dos pedaços dos Mamonas Assassinas e do avião onde eles estavam.


11. Menina do Exorcista

A Erika, quando fez a blogagem coletiva no blog dela, também citou essa figura. Eu ainda morro de medo dela, ainda me cago todinha só olhando a foto dela, mas estou convencida que lerei O Exorcista um dia, e talvez veja o filme com mais calma depois (talvez).


12. Esse episódio de Coragem, o cão covarde


Esse desenho não pode ter sido feito para crianças, isso não é possível. Eu não como berinjelas até hoje por causa desse episódio, não gosto nem de passar por elas no supermercado.


13. Bate-bola

Pra quem não sabe, o Rio de Janeiro tem uma tradição ridícula onde, durante o carnaval, algumas pessoas (na maioria homens) se vestem dessa coisa horrível aqui e ficam andando pelas ruas da cidade literalmente batendo umas bolas por aí:

E aí que minhas primas mais velhas sempre diziam pra eu não olhar diretamente pra eles, que alguns usavam a fantasia só pra assassinar pessoas durante o carnaval, que os bate-bolas andavam armados com facas prontos pra esfaquear alguém que tivesse pela rua de bobeira enquanto eles estivessem passando. Uma vez, lá pelos meus 9 anos de idade mais ou menos, estava brincando na rua da minha vó quando vi três bate-bolas na esquina. Minhas primas - belas amigas - saíram correndo e me deixaram trancada do lado de fora. Nunca bati tanto num portão, e cada vez que eu batia os caras se aproximavam mais e mais, até que...
Fiz xixi nas calças.
E pude ouvi-los rindo por baixo das máscaras.

Ainda tenho muito medo de carnaval por causa disso, principalmente se eu estiver no Rio. Aqui em Manaus não existe esse costume (OBRIGADA MANAUS), então eu saio tranquila durante o carnaval e até vou pra uns blocos

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Esse post faz parte da blogagem coletiva do Círculo Secreto das Bruxas Blogueiras, um coven secretíssimo que reúne só as mais poderosas bruxas da antiga blogosfera. Fique de olho nos blogs participantes. Corvos estão voando e cartas estão sendo entregues.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Let's just forget everything said


Estou num período que as pessoas chamam às vezes de bad vibes. Tenho aula na faculdade cinco vezes por semana e, como de praxe, só apareci dois dias. Sei que é bem irresponsável faltar aula, e muitos já disseram que eu desperdicei três anos de estudos pra não dar valor ao meu curso: meu mais sincero foda-se, eu poderia cagar em cima dos livros de Direito. Não suporto olhar para a cara das pessoas que frequentam aquele prédio — temos belíssimas exceções, se é que me entendem —, não tenho saco nem pra tomar banho e já estou há cinco dias sem lavar meu cabelo. Já dá pra fritar batatas no meu couro cabeludo, alguém aqui tem noção do que significa isso?
Da mesma forma que os Alcoólicos Anônimos, tenho vivido um dia de cada vez. Talvez não com a mesma intensidade que os ébrios habituais, mas buscando sempre e desesperadamente um chiclete toda vez que o vício aperta. Os alcoólatras têm o álcool. Eu tenho alguma coisa que falta na mente, que ainda não sei o que é. Não é alguém pra chamar de mozão e ver séries no netflix. É alguma outra coisa que está me impedindo de seguir em frente, e que ainda não decifrei.
Começou bem pequena, como um nódulo no meio do cérebro. Nesse tempo, eu estava estudando pro vestibular e me imaginava no presente momento mais bonita e realizada espiritualmente. Obviamente eu me enganei. Estudava com aquele pontinho de luz brilhante pulsando na mente. Eu não sabia, mas o nódulo era intrínseco à minha existência, não dava pra simplesmente marcar uma cirurgia e tirar. Daí, passei no vestibular. Na realidade, passei em todas as provas que fiz naquele ano de 2013. Ela é a que ficou em sétimo lugar em Direito na UFRJ, diziam. E eu me orgulhava disso, porque nesse momento todo mundo se sente importante e verdadeiramente inteligente. Eu sou o futuro da nação. Eu vou ser alguém. Eu vou ter um emprego. Mas tinha uma paradinha que fazia comichão. Entrei na faculdade. Estava tudo muito bem, obrigada. Saí do ensino médio já uma mulher feita, com profissão regulamentada e nos conformes com a CLT. Uma família amorosa. Dinheiro da xerox. Um namoro bem meia-boca, mas quem não tem né? E nesse tempo eu tinha unhas grandes e me orgulhava delas, pintava de umas cores bem diferentes, então ficava coçando e coçando e coçando aquele pontinho de luz. Cresceu uma estrela, que na verdade era uma ferida. O que fazer agora? A gente vai ao Google e digita "estou com uma ferida no cérebro". E nesse momento, puta merda, você descobre que sua gripe é um câncer!!
Hoje eu poderia dizer que tenho uma úlcera no cérebro, se me permitem a péssima analogia. No dia-a-dia — até mesmo aqui — sou uma pessoa bem feliz e contente, que joga as piadinhas no ar e faz o papel de Zé Graça dos grupinhos e rodas de conversa. Mas em casa, no quarto escuro, só quero ligar o computador e abrir umas trinta abas com textos importantes que nunca vou terminar de ler. Fecho as janelas, desligo as luzes e finjo não existir. Arrasto os pés de um lado ao outro só pra fazer coisas muito importantes como comer e fazer necessidades básicas. Não lembro quando foi a última vez que acordei com vontade de me levantar da cama e cumprir meus afazeres. Por falar em cama, a minha está bagunçada há mais de um mês. Eu simplesmente vou jogando coisas nela — atualmente tem papéis com desenhos mal feitos, roupas que eu insisto em dizer que "estão limpas sim" e livros abertos em páginas aleatórias  — e quando vou dormir só faço afastar os objetos e deitar ao lado. Tem sido bem fácil fingir que estou bem, na verdade. No começo, as pessoas perguntam por que você emagreceu tão rápido, e dizem que você está até melhor porque está "menos inchada, né?". Depois as pessoas param de se importar e voltam a falar dos seus empregos, dos seus anseios, das suas briguinhas inúteis com namorados que provavelmente não vão dar em nada. E quando as pessoas voltam a falar de assuntos que só consigo acompanhar até a metade, volto a pensar na úlcera e na vontade que eu tenho dela se transformar num buraco negro e me engolir. Não se enganem: vocês convivem com doentes todos os dias, só não se dão conta. São pessoas que inclusive vão às mesmas festas que vocês, bebem e tiram fotos com os amigos, trabalham, dirigem, mas que por dentro estão um caco. Por dentro é como se não tivesse nada mais além de planos grandiosos e nenhuma vontade de concluí-los. Quer dizer,  na verdade queremos sim concluir todos os nossos planos, só não sabemos por onde começar. Daí ficamos perdidos na imensidão que é nossa depressão e perdemos o fio da meada.
Eu tô bem triste sim. Bem cansada, sentindo minhas forças serem drenadas todo dia. Lembrando que eu preciso muito, urgentemente, de um corrimão pra me segurar e aguentar esse giro. Porque novamente me vejo numa situação onde não me reconheço nesse espelho já que o reflexo mostra um retrato pior que o de Dorian Gray. Passei um tempão vivendo a vida de outras pessoas, fazendo coisas que não queria fazer só porque achava que seria saudável. Por isso vesti umas roupas estranhas e sorri numas fotos cujos flashes me cegaram. Não é saudável. Cada hora que passa eu tenho mais certeza que nunca vou me livrar dessa doença, só vou conseguir controlá-la, como venho fazendo desde os 14 anos. Então vou vivendo dias bons, dias ruins, dias mais ou menos. Tem dias que não vivo.

Enfim, só escrevi aqui porque minha próxima consulta ao psicólogo é no mês que vem, e não sei se consigo aguentar até lá.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Diálogos Absurdos dos Coletivos

Tem certos acontecimentos na vida de uma Fernanda que precisam ser guardados em algum lugar que não seja a mente. E se não me falha a memória, tive alguns diálogos realmente memoráveis ao longo desses vinte anos de existência. Até arrisco dizer que poucas coisas nessa vida são capazes de me fazer ter mais vontade de viver — porque no geral eu só quero estar morta mesmo —, e nada supera uma boa conversa absurda o suficiente para virar histórias que você vai contar pros filhos.

Vamos começar com uma vez, há três anos atrás, em que eu estava num ponto de ônibus, voltando pra casa depois do colégio. Ônibus é sempre uma coisa ótima, né?
Lembro de estar acompanhada de Bruno e c e r t a s  p e s s o a s, quando uma senhora que eu nunca vi na minha vida me abordou:
— Olha, eu acabei de voltar do SENAC — disse.
— Poxa, parabéns.
— Eles estão promovendo um dia de beleza grátis, inclusive foi lá que eu fiz a escova no cabelo. — disse isso balançando a cabeça pra eu ver que ela tinha feito escova mesmo — Ficou bonito, né?
— Ué, ficou.
— Passa lá então, você vai adorar.

CLARO NÉ, quando você vê uma garota com cabelo crespo dando mole na rua, você vai lá e tenta convencê-la a fazer uma escova pra ficar mais bonita. Porque ela não está bonita, né? /ironic
Sabem, nem quis dizer pra ela que minha vó é cabeleireira especialista em escovas.
E que eu estou 100% nem aí pra escova, como vocês podem observar nessa foto ao lado >>>>>
Depois disso meu ônibus passou e eu fui o caminho inteiro rindo igual a uma insana, mas o fato é que se isso tivesse acontecido há cinco anos atrás e não há três, eu provavelmente teria voltado pra casa chorando.

Mas ontem... OLHA, ontem foi de-mais. Se a minha vida já estava zerada, digamos que ontem eu a platinei.
Minhas aulas da faculdade são noturnas, e geralmente chego em casa quase 00h. Então, estou lá no ônibus, voltando pra casa com meus fones singelos e meus olhinhos cansados, quando senta ao meu lado um homem com idade aparente de uns sessenta anos. O cara tinha muitos cabelos grisalhos e usava uma camisa do Gentileza Gera Gentileza — pra mim essa gente gentil que bate palma pro sol só estava concentrada na zona sul do Rio de Janeiro, mas nããããão, essa merda parece ser uma epidemia nacional.
Aí eu olho pra ele, e o cara tá olhando pra mim e mexendo os lábios. Tiro um dos fones. E então...
— BOA TARDE.
Aperto o botão do celular e...
— Boa noite né.
— Boa tarde. — disse impacientemente.
— Senhor, são quase 23h.
— Mas eu quero falar boa tarde.
— Ué...
— Nossa, como os jovens são mal educados hoje em dia.
— ...

Passou um tempo, ele puxou a cordinha e desceu.
Tô aqui buscando os limites do universo, do espaço-tempo, do buraco de minhoca ou sabe-se lá o que faz uma pessoa me desejar "boa tarde" quase de madrugada. Eu ainda discuto com louco.

Teve uma outra que eu ouvi há um tempo atrás, mas o diálogo não é meu, então vou transcrever o que ouvi porque Fernanda também é fofoca. Eram dois caras conversando:
— Olha, eu não sei você mas achei Centopeia Humana bem sensacional do ponto de vista psicológico da coisa. Sei lá, é a podridão da espécie humana retratada num filme. Se for pra fazer uma comparação esdrúxula, posso até dizer que Um Lobisomem Americano em Londres está muito atrás de Centopeia Humana no quesito história.
(Nota da Fernanda: DISCORDO PLENAMENTE. Que absurdo comparar um filme tão bom com Centopeia Humana)
— Mas sei lá, cara, o lance desse filme é que tipo... é um beijo grego*, né.
— Que é isso?
— É tipo...
E falou baixinho pro resto do ônibus não ouvir, porque o papo já era estranho o suficiente.
— PORRA VÉI, QUE BOSTA HEIN. CABÔ COM A GRAÇA DO CENTOPEIA.
— Não posso fazer nada se minha mente trabalha na base da analogia.

*Vai com calma nesse link do beijo grego hein. É wikipédia, mas... HAHAHAHA

Eu nem lembrava disso, e pra mim esse diálogo nem fazia muito sentido, mas aí vi uma notícia do Omelete que diz, basicamente, que Centopeia Humana 3 vai ter centopeia de 500 pessoas. Sei lá, tenho vivido esse tempo todo num limbo de proteção materna  minha mãe não me deixa ver American Pie por dizer que é pesado demais para crianças — então nunca parei para procurar saber o que diabos era a centopeia humana e...
Quero minha mãe e minha infância de volta.
Mesmo.
Como alguém pode ter a ideia maligna de costurar a boca de alguém no ânus de outra pessoa???????????? E AGORA FAZER ISSO COM QUINHENTAS FUCKING PESSOAS?
Sinto que a humanidade falhou e continua a falhar, todos os dias, miseravelmente.

domingo, 5 de abril de 2015

Roteiro de uma peça bem ruim


QUINTAL DA CASA DA VÓ MATERNA - NOITE

Todas as personagens estão reunidas em volta de uma mesa redonda, posta no centro do quintal.

Sentada em uma cadeira azul, Tia Rosana inicia o diálogo da cena.

TIA ROSANA
Então, Fabiana, cadê seu namorado?

FABIANA
(engasga com a comida na boca)
Pois é, tia... A gente terminou já faz um tempo.

TIA ROSANA
Poxa, mas eu gostava tanto dele.

FABIANA
(sorri constrangida)
Acontece, né?

TIA ROSANA
Mas por que vocês terminaram? Ele era tão legal.

FABIANA
É meio complicado explicar pra vocês.

Entra em cena Tia Marcela.

TIA MARCELA
(fala alto e gesticula como se tivesse fazendo um discurso)
Mas a gente quer saber. E eu adoro detalhes, quero todos os detalhes!

FABIANA
Ele era meio parado. Antissocial. E eu nem sei se gostava dele mesmo. Acho que foi fogo de palha de adolescente, sabe?

TIA MARCELA
Mas esse fogo de palha durou quase quatro anos!!

Todos na mesa caem na gargalhada, menos Fabiana.
Entra em cena Maria, mãe de Fabiana.

MARIA
Eu gostava muito dele, pessoalmente falando. Era um rapaz distinto, respeitador, que combinava muito com você, Fabiana. Aturava suas manias, gostava de gatos assim como você, e sempre te presenteava com doces, o que você adora! Não entendo mesmo esse término tão repentino.

FABIANA
Não basta gostar de gatos e doces, né mãe? É preciso mais do que isso pra gostar de alguém, senão eu poderia me apaixonar por qualquer pessoa a qualquer momento.

TIA ROSANA
Essa fase da juventude é muito boa, hein? Cheia de namoradinhos, e com esse corpão todo deve fazer o maior sucesso na faculdade com os meninos. Agora é partir para o próximo namorado e seguir em frente, hein?

FABIANA
(miga, tenta se enterrar num buraco que dá tempo ainda)
Eu bem que gostaria de fazer sucesso com "os gatinhos", mas não sei se estou num momento pra gatinhos, sabem?

MARIA
Mas como assim?

FABIANA
Então...

TIA ROSANA
O que você procura num relacionamento, Fabi?

MARIA
É bom nem perguntar... Nessa idade as jovens só pensam em uma coisa: aventura.
(gargalhada histérica que envergonha a filha)

Todos riem em volta da mesa.

FABIANA
(visivelmente irritada com esse lance todo de reunião de família)
Eu não procuro um relacionamento, na verdade. Tô estudando tanta coisa, fazendo faculdade, preocupada em passar num concurso bom o suficiente pra me sustentar até eu conseguir a carteira da OAB, essas coisas... Não sei se quero namorar quem quer que seja.

TIA MARCELA
Mas todo mundo tem suas preferências.

FABIANA
Sim, eu sei. Mas as minhas...
(fala alto)
Ah gente, eu não quero comentar, ok?

MARIA
Sua tia só fez uma pergunta, seja educada.

TIA ROSANA
É, e fica tranquila. Todas nós já tivemos sua idade, sabemos como é. Seremos compreensivas.

FABIANA
(bufando, querendo enfiar o garfo em sua mão nos olhos de alguém)
EU TERMINEI COM O JOAQUIM E ESTOU AFIM DA AMIGA DELE, OK? EU NÃO GOSTAVA DE TRANSAR COM ELE, ME SENTIA TENSA, NÃO GOZAVA, NÃO ERA BOM, NÃO SEI O QUE EU ESTAVA PENSANDO QUANDO RESOLVI NAMORAR UM HOMEM.
(fala baixinho)
Talvez... se ele não tivesse toda aquela barba, quem sabe?
Não, Fernanda - OPSSS FABIANA, ISSO! FA-BI-A-NA - esse não era o problema...
Mas tinha o anticoncepcional, também. Esses hormônios não são de deus...
E a família perfeita dele? Não tinha um gay naquela família, isso nem é estatisticamente possível.

Todos ficam tensos na mesa.
Passam-se alguns minutos.
Só se ouve o som dos talheres nos pratos.

TIA ROSANA
Tem sobremesa, gente. Vocês querem?

Todos concordam e levantam para pegar a sobremesa.

Baseado em fatos reais. Mas na vida real não tinha sobremesa. O que é uma pena...

terça-feira, 31 de março de 2015

Vamos falar de filmes ruins #2

RUFEM OS TAMBOREEEES, TUM TUM TUM TUM TISSS
TÁ CHEGANDO
TÁ TÁ TÁ
MAIS UM:
Vamos falar de filmes ruins
Vai ter spoiler, por isso peço perdão pelo vacilo



E aí que eu e meus amigos Bruno, Tayenne, Mateus e Maurício, resolvemos ver esse tal de Renascida do Inferno nos cinemas. Não me responsabilizo por ter gasto dinheiro nisso. Muitas coisas aconteceram nesse dia: eu me vesti toda gostosa pra aparecer no shopping com meus amigos, esqueci meus óculos em casa, briguei com meu irmão na fila, vi dois gays fingindo serem héteros na praça de alimentação, ri porque poderia perfeitamente ser eu ali no lugar deles (tadinhos :( eles tentavam não olhar nos olhos um do outro!!!!), e pra que tudo isso? PRA QUE????????????????
Pra ver essa bosta de filme.

Renascida do Inferno: sonhar que está beijando o Nicolas Cage parece ser uma ideia melhor 

E olha que só de pensar em encostar minha boca nesse bigode DÁ UM NÓ.
Tá tudo errado nesse filme.
Temos a moça Olivia Wilde fazendo o papel de Zoe, uma cientista que busca mudar o cenário científico com uma parada que vai trazer pessoas de volta à vida. Ela é noiva de um cara, o Frank, que não tá nem aí pra ela (eles parecem não transar faz uns anos). Zoe está traumatizada com um sonho que ela tem da infância sobre um lugar que pega fogo etc. Até aí, beleza.
Contratam uma moça que ia fazer um documentário sobre a experiência. E aí eu já fiquei com o cu na mão achando que ia ser filmagem em primeira pessoa (particularmente tetesto). Mas não era então eu prossegui com a leve esperança de que poderia ser um bom filme. Tem também outros dois cientistas envolvidos além do casal 20 Zoe e Frank.
E o filme rolou.
Testam o tal do material da vida num cachorrinho fofo que tinha catarata antes de morrer. ONDE ESTÃO OS TESTES EM RATOS? Pois é. Aí o cachorrinho volta a viver, mas ele não parece ser um cachorrinho que fica de boas na lagoa, como todo cachorro deve ser. O cara volta inicialmente todo assustado, e depois fica feroz e mais bagunceiro que o Marley, do Marley e Eu. Todo mundo fica feliz porque deu certo etc.
Cês têm noção do que é isso?
Meio que me apeguei a esse cão, o Rockie. Na verdade, toda a galera da sessão se apegou a ele. Eu queria abraçá-lo, compreendê-lo, chegar perto do focinho dele e falar: "cara, tá tudo bem, a gente te ama".
MAS NÃÃÃÃO
O ROCKIE ERA BOM DEMAIS PRA CONTINUAR VIVO, NÉ?
Mataram o cão.
Antes de matarem o Rockie, as paradas deram bem errado, e é por isso que o filme se chama The Lazarus Effect (acho). A menina Zoe não teve aulas de Segurança do Trabalho (eu tive), e não sabia que antes de pegar num interruptor, tem que usar as luvas adequadas e botas que isolam a eletricidade. A menina Zoe foi lá sem proteção e...
A merda aconteceu.
Ela morreu, o noivo Frank a ressuscitou (semelhança com Frankenstein seria mera coincidência ou nem?), só que ela voltou numa vibe muito errada. Muito errada mesmo.
E depois disso o filme ficou totalmente sem sentido, porque ela tinha poderes paracinéticos e matava as pessoas só com o poder da mente. Ela simplesmente fazia uma cara sensual e a pessoa morria. Virou um Jogos Mortais Lazarento pouco proveitoso e muito mal elaborado.
Um cara morreu engolindo um cigarro eletrônico, véio!! (ele era bem gatinho, inclusive, não merecia essa morte ridícula)
E como disse, o pobre do Rockie morreu de morte matada, e quem matou foi a Zoe.

Queria destacar um ponto alto do filme.
Mas realmente não tem, vou ficar devendo essa pra vocês.

E esse lance de ver filme sem óculos é uma barra pesadíssima mesmo. Minha situação está tão crítica que, quando vi a Olivia Wilde, eu poderia JURAR que era a Emily Deschanel, tanto que virei pro Bruno e falei: "Essa mulher é irmã da Zooey Deschanel, né?". Ó AS IDEIA.

GENTE.
No mais, o lado bom de ver filmes bosta com seus amigos é que você passa a sessão toda rindo de chorar, jogando piadinhas no ar e fazendo com que as pessoas próximas queiram fazer parte do seu clubinho de gente descolada. E, fala sério... Somos muito gatos:

Parecemos felizes, mas na verdade estamos tristes pela morte do Rockie.