sábado, 24 de janeiro de 2015

Quando você sairá da adolescência?

Sinto que minha mãe está um tanto quanto cansada de aparecer nos meus posts, e vocês devem achar que eu tenho um complexo de édipo mal resolvido por aqui. Porém, esse blog é acima de tudo um blog sobre verdades, e a grande verdade da vida é que minha mãe não aguenta mais a minha adolescência. Compreensível? Pode ser que sim. Claro que pais sempre têm essa tendência a odiar a adolescência dos filhos, porque é um momento onde estamos moralmente perdidos em nossa própria desordem mental. Ser adolescente é não ser adulto nem criança, querer se identificar com o grupo e tirar algumas notas baixas na escola. Se tirarmos as variações entre uma pessoa e outra, a conclusão a que chegaremos é: ser adolescente é terrível.

- Mas Fernanda, você já tem quase 21 anos!

Sim, eu sei. E é justamente isso que a preocupa: eu já estou "velha" para coisas que ela associou a minha fase "chata", digamos assim nesses termos. Preocupada com meu desenvolvimento psicológico, minha genitora formulou uma série de perguntas pro nosso dia-a-dia, dentro de uma tese bem complexa que comprova por A+B que eu preciso urgentemente procurar um profissional especializado em transtornos mentais. POIS É.


Quando você vai tirar esse piercing?

Filha, fica parada! Tem uma orelha nos seus piercings!!

Pergunta delicada. Sempre adorei a estética dos piercings. Entretanto, meus pais nunca deixaram eu me governar e fazer o que eu bem entendesse com meu rosto. Desde os meus 14 ou 15 anos, eu queria colocar um piercing no nariz. Pedi aos dois, e recebi um não bem redondo. Disseram que eu era muito nova, e que quando fosse maior de 18 anos, poderia furar o que eu quisesse no meu corpo. E tenho pra mim o seguinte: os dois imaginaram que isso seria só uma fase, e que quando eu ficasse mais velha, veria piercings como o grande mal do século.

Daí fiz 18 anos, fui a um bodypiercer e furei.
RÁÁÁÁÁÁÁÁ
Quanta rebeldiaaaaaaaaaa
Pensaram que iam me impedir??????

O piercing inflamou. Nasceu uma queloide. Pensei que ia morrer. Foi mau olhado dos meus pais, sei que foi. Aí consultei meu médico preferido, o Google, que me indicou o modo certo de cuidar do meu nariz.
Se meus pais estão satisfeitos?
Minha mãe tem uma filosofia de vida que é a de não-intervenção em casos de adolescência aguda. Então ela não liga mais se meu nariz tem 1 milhão de buracos com metais dentro. Só pergunta se um dia eu vou crescer mesmo e tirar.
Tadinha, não sabe que meu próximo piercing será no tragus.



Mas como assim você quer fazer tatuagem?

Pessoa que a minha mãe não quer que eu seja.

Tatuagem é uma coisa que eu não fiz porque ainda não tive dinheiro. Mas já tenho vários planos pras minhas costas e barriga; *insira aqui uma risada maléfica*
Novamente, meus pais acham que logo vou enjoar dos desenhos. E tatuagem não tem volta, né? Fora isso, há o medo que eles têm de eu não dar certo na vida e virar vendedora da Chilli Beans. Possibilidades.
Ok, particularmente tenho medo de fazer tatuagem, principalmente porque escolhi uma área chatinha pra trabalhar. As pessoas do Direito são muito preconceituosas em todos os aspectos, e às vezes fico pensando comigo mesma o que diabos ainda estou fazendo lá. Enfim, reflexões pra um futuro post.
P.S.: MAS NAS MINHAS COSTAS QUEM MANDA SOU EUUUU, VAI TER DARTH VADER NAS COSTAS SIM. SE RECLAMAR VAI TER YODA COM SABRE DE LUZ.


E essas roupas pretas?

Essa é a modelo alternativa Savra. Mas se permitem a licença poética, essa sou eu indo pra faculdade.

Então, desde os 13 anos decidi que só iria vestir preto. Comecei a usar moda alternativa um pouco depois disso, e hoje praticamente todo o meu guarda-roupa é preto. Não tem nenhum significado profundo em torno disso, preto é minha cor preferida e me sinto linda em todas as roupas dessa cor. Claro que morando em Manaus, que faz calor o ano todo, tive que abrir mão disso algumas vezes e usar uma cor mais fresca de vez em quando. Meu maior problema atualmente é que tenho algumas blusas brancas, mas todos os meus sutiãs são pretos. A vida tem dessas...
Sobre as roupas, minha mãe já disse várias vezes que sou estilosa e ela me dá força pra usar moda alternativa porque ela acha lindo (?). Inclusive eu queria vender um coturno - que quase não uso porque dá trabalho pra calçar - e ela não deixou! Falou que ele é muito lindo e que se eu não quiser, ela usa.
Que mulher de fases...


Quando você vai sair da adolescência?

me larga, chulé!111!

Olha só... se tudo o que foi falado ali em cima é coisa de adolescente, sinto em te dar essa notícia triste, mãe querida: não vou sair. Isso não vai acontecer. A minha adolescência é uma entidade satânica que ocupa meu ser com o objetivo de me tornar uma pessoa excêntrica. Inclusive eu tenho planos pra minha aposentadoria (SIM!): ser uma idosa com cabelo colorido, que usa calça de couro e tem uma casa cheia de instrumentos musicais e um espaço pra minha Harley-Davidson. Vai ter terceira idade com estilo SIM SENHORA, se reclamar vai ter idosa indo pra festival de metal na Europa.

Queria dizer que talvez esses sejam os únicos resquícios da minha adolescência, em termos gerais. Afinal, o período de 13-17 anos foi bem legal, ok e tudo mais, mas passou. Não tenho mais tempo pra ficar a tarde toda no meu quarto fazendo desenhos, vendo vídeos na internet e até mesmo tretando com coleguinhas da escola. Não tem mais espaço pra escrever miguxês (uma pena, porque eu adorava esse gerador de miguxês) Tá difícil, tá puxado. Minhas conversas com minhas amizades, atualmente, giram em torno de:
- Mas eu fui super criticada porque votei na Luciana Genro, o que é um absurdo completo, já que...
(...)
-  Quando a gente vai sair pra beber e discutir as diretrizes da atual militância?
(...)
- Constitucional I e meu desejo: estar morta.
(...)
- E a prova da monitoria?
(...)
- E o concurso que abriu? Já leu o edital?
(essa conversa geralmente pula pra: SE EU NÃO PASSAR NESSE CONCURSO EU VOU MORRER)

Às vezes rola um papo sobre sexo selvagem, mas é puramente filosófico e ninguém transa. Então vou parar por aqui pra vocês não dormirem.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A história da caixa de areia

O que eu vou contar a seguir é a breve história na vida de uma gata chamada Capitu. Gata essa que, inclusive, mora na minha casa. Capitu é uma vira-latinha charmosa e gordinha que tem quase cinco anos de idade. Seu nome é uma homenagem da minha mãe ao nosso escritor preferido, Machado de Assis. Se fosse macho, seu nome seria Dom Casmurro. Ela gosta de dormir, comer, dormir, comer, dormir e comer. Tudo isso nessa sequência todo dia. Eventualmente ela faz cocô (muito cocô). E a história de hoje é, ISSO MESMO, sobre o primeiro cocô da minha gata.

Podem falar... vocês nunca leram nenhum blog que fale sobre o primeiro cocô do bicho de estimação de quem escreve.

Capitu devia ter alguns dias. Acho que não tinha nem um mês quando meus pais a acharam no meio da rua, correndo risco de ser atropelada. O coração da minha mãe ficou super mole, e olha que ela não é muito animada com animais domésticos. Levaram-na pra casa.
Desabafo: Sempre quis ter cachorro também mas minha mãe sempre foi contra, dizendo que só ela iria limpar o cocô do cachorro e que eu e meus irmãos ficaríamos sempre com a parte boa de brincar com o bichinho. Ela tem toda razão.
Minha gata era uma pequena bola de pelos pronta pra ser amada. Porém, o pessimismo da senhora minha genitora assustava muito. Ela dizia:

- Ela só vai ficar com a gente se não sujar a casa de cocô.

A comparação com cachorros, na mente dela, era inevitável. Pra minha mãe, a Capitu ia querer marcar todo o território com seus cocozinhos de filhote. Mas gato não é cachorro e vice-versa. E instaurado o clima de tensão no lar, ficamos lá esperamos pacientemente a gata ter vontade de liberar... a coisa toda.
A caixa de areia foi enchida, deixada na área de serviço, e todos fomos pra perto ver o grande evento.
A gatinha, tão pequena, foi andando em direção à caixa que era muito maior que ela, se agachou e... QUE LINDO. Ela usou a caixinha. Minha mãe se derreteu toda.

Nem tudo são flores, é claro. Hoje a Capitu simplesmente não sabe mais o que é caixa de areia. Moramos agora em uma casa com quintal e ela meio que... virou um cachorro. Mas ok, Capitu, nós a amamos mesmo assim! E fica aqui registrada a lembrança do tempo onde não tinha cocô seu pra todo lado.

Atualmente Capitu atingiu esse estágio de fofice <3